8 de janeiro de 2012

V Capítulo "Noite à volta da fogueira" parte III


Antes de ter chegado ouvi estranhos sussurros vindos do rio que estava a uns cinquenta metros daí. Inconscientemente dirigi-me para mais perto. O reflexo da lua pairava sobre a água, acompanhado pelos grilos que entoavam uma sinfonia que dava uma sensação de tranquilidade. Sentei-me numa rocha média para que pudesse molhar os meus pés no frio nocturno do rio. Contemplando a luz da lua sobre ele, as minhas pálpebras ficavam pesadas com o tempo e o sono quase se apodera de mim. Até que de repente senti uma corrente de ar quente. Ela emanava boas energias. Senti a minha cabeça pesada. Estaria a sonhar? De súbito eu perdi o chão e senti-me a ser elevada. Sentia o conforto do calor a rodear-me. E estava cada vez mais forte. Não conseguia abrir os olhos, mas por outro lado conseguia ver. Provavelmente seria um sonho. Um sonho muito verídico. Via coisas, silhuetas, sombras, movimento... Logo já estava em outro lugar. Pela floresta adentro, Seth e Cyrus corriam contra o tempo. Tão rápidos como vultos.
- Rápido Seth. Antes que dêem pela nossa falta!
- Eu te avisei que não devíamos vir ao acampamento. Deixa-nos muito aos olhos dos outros e dificulta-me ser o que não sou.
- Sabes, aquela rapariga pode causar-nos problemas…
- Maldita regra que não podemos conviver com eles. Se eles souberem daquela rapariga ainda a podem dar-lhe O Ultimato.
Os dois pararam no meio do caminho. Cyrus estava estupefacto.
- Não exageres. Isso não é real!
- Acorda, isto é a realidade. A nossa mãe está morta por causa disso, e não queres ver mais ninguém morrer também, pois não?
Nesse momento Cyrus baixou a cabeça e exalou profundamente olhando para as pernas de Seth.
- Tu sabes como e difícil para mim conformar-me com isso, sabes?
- Estarei à disposição para te ajudar em qualquer momento, mano…
E seguiram a seu trote deixando marcas de cascos. Finalmente consegui abrir os olhos e olhar para o tecto da minha tenda, ofegante. A única coisa de que me lembro e de que eu estava no rio e que comecei a voar…? O que isso significaria? Todos já estavam a dormir. Mas havia algo de estranho… pressenti que os rapazes estariam a tramar alguma. Levantei-me rapidamente e corri para a tenda deles. O zipper da tenda estava aberto e eles não estavam lá. “Ok, isto já está a ficar estranho” pensei comigo mesma. Também sonhei que eles estavam no meio da floresta, e que falavam de uma rapariga procurada, e outras trapalhadas.
Reparei em pegadas que saíam da tenda, eram os ténis do Seth e as sapatilhas do Cyrus, elas seguiam o trilho e iam para a floresta. Eu voltei para a minha tenda e arrumei a minha pequena bolsa. Meti lá dentro a minha bússola (para o caso de eu me perder), o meu telemóvel e a minha lanterna. Não parei para tirar umas barras de cereais e chocolate que já estavam dentro da bolsa, estava com pressa.

Nunca pude pensar que alguma vez estaria tão preocupada com uns rapazes que conheci em tão pouco tempo, mas o caso deles é diferente, não sei porquê… Parecia que eles são irmãos para mim. “O que estas para ai a pensar Thelma Black? Pfff… É a irmandade a primeira vista??? Que estupidez...” ri comigo mesma embora instintivamente ía a caminho da floresta.

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